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EMITIR PALAVRAS NÃO É GARANTIA DE COMUNICAÇÃO

Foto do escritor: Pry Bueno
Pry Bueno
15 de ago.
3 min de leitura

Muitas vezes nos vemos indignados por ter orientado a equipe sobre uma nova normativa e, no dia seguinte, as demandas continuam sendo realizadas da forma errada. Ou até mesmo em casa, com os filhos: ensinamos como lavar a louça, jogar o lixo na lixeira, não deixar a toalha molhada na cama, e eles seguem fazendo do mesmo jeito, diferente da orientação oferecida. Mas por que isso acontece? Nas empresas, falamos, criamos cartazes, e-mails, vídeos, e ainda assim a mensagem não é "respeitada" e seguida da maneira que gostaríamos. Acontece que o fato de emitir palavras não é garantia de comunicação, pois esta exige que se levem em consideração alguns fatores para que de fato seja compreendida pelo receptor da informação.


Quando estava no meu curso de Publicidade, atuei por um período na agência experimental da faculdade, e tínhamos que criar uma comunicação interna para um evento. Lembro que criei um material lindo e com uma mensagem super conceitual que, no meu ponto de vista, qualquer pessoa entenderia ao bater o olho no cartaz. No entanto, meu coordenador detonou o trabalho. Ele me mostrou que não bastava eu compreender e “achar” que o público entenderia, pois eu estava criando a partir do meu próprio repertório, desconsiderando totalmente quem iria receber a informação — alunos, funcionários e educadores —, que não tinham a mesma instrução na área para compreender aquele conceito. Isto é, ninguém entenderia do que o evento se tratava. Fiquei bem decepcionada na época, mas refiz o trabalho e aprendi a lição.


A comunicação nunca é uma via de mão única; ela é uma estrada de mão dupla. Assim como emito palavras, preciso saber de que maneira o público pode compreender melhor a mensagem. Quando há uma mudança na empresa e preciso orientar o grupo sobre isso, é fundamental entender com quem estou falando.

É relevante considerar o nível de instrução, a cultura, a maturação emocional e o momento do grupo para perceber se o tom da mensagem deve ser uma regra, um pedido de parceria ou apenas um comunicado.

Também precisamos ajustar nossa expectativa em relação ao retorno: uma coisa é o que esperamos, outra é o que o grupo está preparado para entregar naquele momento.


Atualmente, contamos com muitas ferramentas que se vendem como solucionadoras de demandas em todas as áreas. Na comunicação, sempre existiu aquele "achismo" de que todo mundo é um pouco publicitário ou marqueteiro — sem ter a menor noção do que isso significa —, e, com os aplicativos modernos, todos viraram "profissionais", ou ao menos acreditam ser. No entanto, como iniciei esta conversa, emitir palavras não garante o entendimento. Se você não sabe o que dizer nem como dizer com clareza e objetividade, o resultado será apenas um emaranhado de informações que ninguém vai ler, e os problemas continuarão lá.


Uma regra simples que pode resolver parte desta questão é, primeiramente, descartar definitivamente o termo “eu acho”. Afinal, o que você acha não responde à questão; o que importa é conhecer com quem você precisa se comunicar. Quais são os símbolos que fazem sentido para eles? Qual é o tom de mensagem que traz mais retorno? Qual tipo de apelo comunicativo utilizar: cartaz, áudio, vídeo, reunião em grupo, folheto? É necessário pesquisar.


Recentemente, assisti a uma palestra do TED — O Poder de uma Mente de Mapear, com Tony Buzan — e ele destaca a importância de sermos cientistas, isto é, pesquisadores. É preciso deixar emergir em nós, adultos, aquela curiosidade que muitas vezes fica perdida no tempo. Com isso, enfatizo a importância de estudar a melhor forma de falar com um adolescente, com uma família da escola, com educadores, e assim por diante. Adaptar a linguagem ao público aumenta exponencialmente as chances de que a mensagem seja compreendida e aproveitada.


E mesmo depois de todos esses ajustes, pode ser que algumas pessoas ainda não sigam as orientações. Há casos em que o problema não é a falta de entendimento, mas sim questões puramente comportamentais e emocionais. Daí a importância de reconhecer o seu interlocutor e adaptar a sua mensagem — personalizando-a, mas sem perder o objetivo inicial.

Para que isso funcione, no entanto, a sua comunicação precisa ter propósito, sentido, intencionalidade, clareza, verdade e transparência e não ser apenas palavras ao vento.


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